Um ano após atentado, Nice recorda suas vítimas

A Alguns minutos foi veiculado no site Zero Hora a notícia “Um ano após atentado, Nice recorda suas vítimas”.

Segundo informado pelo site Zero Hora: “

“É verdade que a vida continua, mas é terrível”: exatamente um ano após o atentado cometido com um caminhão que fez 86 mortos na cidade francesa de Nice, milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira (14) no Passeio dos Ingleses para homenagear as vítimas.

Com os olhos cheios de lágrimas, Florence, de 52 anos, explica a importância de que “todos se lembrem”.

“Não podemos virar a página de um acontecimento como este, a gente apenas administra”, desabafa.

Ela acabava de assinar um dos livros dourados disponibilizados ao público em mesas em frente ao mar nesta cidade do sudeste da França.

Uma multidão silenciosa, com muitos sobreviventes, depositava, um por um, os 12.000 pequenos azulejos azul-branco-vermelho que formaram uma gigante mensagem na calçada.

Cada um carrega o nome das 86 vítimas, caligrafado em forma de coração. Durante toda a manhã, em letras monumentais, o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” aparece, algumas centenas de metros do local do massacre.

No Passeio dos Ingleses, enfeitado com bandeiras tricolores, reina o silêncio.

O tráfego foi bloqueado, o mar parece mais próximo, os turistas aproveitam a água azul-turquesa em frente ao Hotel Negresco. Apenas os aviões que aterrissam são ouvidos, indicando uma ressurreição turística vital para a cidade litorânea.

A prefeitura planejou um grande tributo, iniciado na quinta-feira à noite, com uma missa solene na catedral. A cerimônia contou com a participação de representantes de todas as religiões. A circulação em grande parte do centro da cidade foi proibida aos veículos, e a segurança é máxima, com muitos policiais à paisana.

Os floristas de Nice se uniram para distribuir rosas brancas aos transeuntes. As televisões de todo o mundo cobrem o evento.

No microfone, um homem recordou a tragédia, com a voz embargada pela emoção.

“Ver crianças mortas, é insustentável”, afirmou, apontando para a calçada que há um ano foi manchada de sangue.

– ‘Estava presente’ –

A dois passos, com os olhos vermelhos, o rosto sério, famílias enlutadas e vítimas deixam o jardim onde acontecia a celebração ecumênica.

“Nós só pensamos nas famílias. É muito, muito triste, especialmente para as crianças. O feriado de 14 de Julho é normalmente um dia de alegria”, afirma a irlandesa Pauline, que há dez anos vem passar as férias na Riviera Francesa.

Vestida de branco e sapato fúcsia, ela retorna para seu pequeno apartamento comprado no centro histórico de Nice com o marido: “Tive um pouco de medo, mas estou feliz por ter vindo”.

Muito emocionada, uma mulher é consolada por um voluntário da Câmara Municipal.

“Eu estava aqui”, afirma, chorosa.

“Foi horrível, mais que horrível…”, sussurra Rahmani, de 62 anos, antes de contar que velou sobre o corpo de uma menina atropelada pelo caminhão há um ano.

“Ela devia ter 5 anos, e seu rosto está gravado na minha memória”, acrescentou.

Um ano após o ataque, Maria Luisa, uma turista italiana de 69 anos, continua a achar “impossível que algo assim pudesse acontecer”, um evento que acontece “apenas nos filmes, ou no outro lado do mundo”, completa.

Compatriotas italianos prepararam um cartão de condolências com as palavras do famoso poeta Dante exaltando o amor e a luz.

O presidente francês, Emmanuel Macron, homenageou as vítimas do ataque, após ter comemorado em Paris o feriado nacional ao lado do presidente americano, Donald Trump.

Macron pousou na parte da tarde em Nice, acompanhado dos ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy, a quem convidou para participar das homenagens. Também estavam presentes o príncipe Albert II de Mônaco e vários membros do governo.

Sob um sol escaldante, Macron condecorou vários cidadãos e membros das forças de segurança que tentaram parar o autor do ataque, incluindo Franck Terrier, conhecido como “o herói do scooter”, que recebeu a Legião de Honra, a mais alta distinção francesa, em meio a aplausos.

Terrier jogou sua moto contra o caminhão utilizado no ataque e se agarrou à porta, batendo no atacante numa tentativa de pará-lo.

Sinal de luto, não haverá fogos de artifício, ou disparos de canhão. Nas ruas comerciais do centro da cidade, as lojas não fecharam as portas. As vendas continuam.

* AFP

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