Deputado nega envolvimento no escândalo do lixo hospitalar e diz que não sabe onde o pai está | Tocantins



Olyntho Neto conversou com a reportagem da TV Anhanguera e negou envolvimento da família no esquema. “Eu tenho certeza que tudo vai ser esclarecido. Acho até uma arbitrariedade, que antes de ouvi-los [o pai e as sócias] foi pedida a prisão, mas é o preço que a gente paga por eu estar envolvido com a vida pública”, disse.

João Olinto e as outras duas sócias da empresa Sancil Sanantonio Construtora e Incorporadora LTDA, Ludmila Andrade de Paula e Waldireny de Souza Martins, tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos. Nesta segunda-feira (12), o governo do Estado suspendeu o contrato com a empresa para a coleta de lixo de 13 hospitais do estado.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que contratou a empresa em caráter emergencial, sem licitação. Seriam pagos R$ 557 mil por mês, mais de R$ 6 milhões por ano, pelo serviço. O contrato foi assinado no dia 7 de agosto pelo secretário Renato Jayme e a sócia Ludmila Andrade de Paula, da Sancil Sanantônio.

Em entrevista, ao vivo, o secretário reconheceu que a empresa não tinha capacidade técnica para o trabalho. “Cabe à administração pública e o direito público, ele parte do princípio da boa fé […] a empresa responsável deveria apresentar toda a documentação, inclusive o relatório do GPS de onde ele monitora o lixo, o certificado para ver se tem o tratamento adequado. Então é uma obrigação nossa, do estado, fazer esse acompanhamento.”

O governador Mauro Carlesse (PHS) afirmou que não sabia dos problemas enfrentados com a empresa. “O secretário da saúde que tem que fazer esses critérios. Eu não tenho, porque é muita coisa para gente ver, então a responsabilidade do secretário é justamente isso, é saber se aquela empresa tem condições ou não de atender o Estado.”

Apesar dos danos ambientais e da contratação de uma empresa, pela Prefeitura de Araguaína, para retirar o lixo do galpão irregular, segundo o secretário não houve prejuízos pros cofres públicos.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Foi verificado que o lixo encontrado em Araguaína também saiu de outros hospitais do estado. Os investigadores suspeitam que o pai do deputado tenha usado laranjas para fechar o contrato com o governo.

“Ele tinha a função de coordenar os trabalhos da Sancil por interpostas pessoas. Ele não constava na relação de sócios da empresa, mas ele utilizou de duas funcionárias do escritório de advocacia para o fim de constituir essa empresa”, relatou o delegado Bruno Boaventura.

O deputado Olyntho Neto, que é o líder do governo do estado na Assembleia Legislativa, disse que não sabe do paradeiro do pai. “Meu pai acabou de passar por uma cirurgia, há muito pouco tempo. Eu não sei onde meu pai se encontra hoje e tenho certeza que tudo vai ser esclarecido da melhor maneira possível”, afirmou.

Lixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína — Foto: Felipe Maranhão/TV AnhangueraLixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína — Foto: Felipe Maranhão/TV Anhanguera

Lixo foi encontrado dentro de galpão em Araguaína — Foto: Felipe Maranhão/TV Anhanguera

A Secretaria Estadual de Saúde disse que convocou em caráter emergencial a empresa Dantas e Cavalcante LTDA para assumir o recolhimento do lixo hospitalar, mas os sócios ainda não se pronunciaram se farão ou não o serviço de coleta.

A secretaria informou ainda que o processo licitatório para contrato regular de uma empresa para fazer a coleta de lixo dos hospitais, aberto em 2016, foi finalizado, mas aguarda o parecer da Procuradoria Geral do Estado.

A polêmica envolvendo o lixo hospitalar começou na semana passada, quando um galpão foi encontrado com quase 200 toneladas de lixo hospitalar armazenado de maneira irregular. No galpão deveriam funcionar duas empresas cadastradas no nome do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), filho de João Olinto.

Nesta segunda-feira (12) um caminhão com lixo hospitalar foi encontrado dentro do terreno do hotel de João Olinto Garcia de Oliveira. O veículo estava no nome da empresa Agromaster S/A, também registrada no nome do deputado estadual.

Na semana passada, fiscais do meio ambiente e a Defesa Civil municipal interditaram o depósito clandestino depois que encontraram seringas, ampolas de remédio e curativos. “Há um potencial risco de contaminação pela quantidade de materiais diversos que se encontram nesse local”, explicou o engenheiro João Guilherme Almeida.

Fonte

قالب وردپرس

Deixe uma resposta