Estudo aponta que a perda de um animal doméstico pode ser mais doloroso que a perda de um familiar – ANDA



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Capazes de amor incondicional e fidelidade incomparável, a perda de um animal doméstico é uma dor difícil de superar | Foto: Pixabay / Nordseher

Qualquer um que já tenha tido ao seu lado um animal e tenha passado pela dor da perda desse amigo sabe que o luto é avassalador e difícil de superar.

Tenham eles vivido uma vida longa e saudável ou tenham nos deixado cedo demais, a dor da perda é algo que beira o insuportável.

Algumas pessoas, de forma precipitada, olham com preconceito esse sofrimento, e até chegam a recriminar quem está passando pela dor alegando que é “apenas um cachorro” cobrando uma superação mais rápida e menos intensa.

Nada pode ser dito, de forma eficaz, para tornar essa perda menos dolorosa, porém uma pesquisa recente vêm legitimar o fato de que esse processo de luto é absolutamente real. O luto não só é real como pode até ser mais difícil de superar do que a perda de outro ser humano. É exatamente isto que o estudo alega.

A questão é que os seres humanos se ligam aos animais domésticos da mesma forma que criam laços com outras pessoas. Os mesmos hormônios e substâncias químicas responsáveis por gerar a sensação de amor recíproco e conexão com o outro são liberados no cérebro humano, e depois de anos juntos, os animais não são diferentes do resto da família. É um reconhecimento orgânico e emocional.

Mas por que esse fato torna a perda de um animal doméstico mais difícil superar que a de um ente querido?

O lugar que os nossos companheiros animais ocupam em nossa vida não pode ser preenchido por mais ninguém. O tipo de conforto, carinho, apoio, amizade, intimidade, solidariedade que um animal querido nos proporciona e que dividimos com eles durante a convivência, não podem ser obtidos em nenhum outro relacionamento social.

No caso de um dos membros humanos de uma família morrer, existem inúmeros recursos para os quais o indivíduo pode recorrer para lidar com a dor. As opções vão do círculo social, até os demais famíliares que se unem e se ajudam no propósito de superar a dor. Mas e na morte de um animal doméstico, em se tratando de um relacionamento único e especial, a quem recorrer?

Na perda de um familiar, aconselhamento profissional e terapia são as opções indicadas, sem temer qualquer tipo de crítica alheia, é esperado que quem esteja passando por uma perda dessas esteja enfrentando um momento difícil.

Por outro lado, quando um animal doméstico morre, é esperado e até cobrado do tutor que continue com sua vida como se nada tivesse acontecido. Voltar ao trabalho, cumprir os compromissos sociais e continuar vivendo normalmente sem contar com a compreensão da maioria das pessoas.

Os mais próximos normalmente estão cientes da situação, mas mesmo eles podem não entender na realidade o quão profundamente isso pode estar afetando a pessoa vitimada pela perda.

Sem esses recursos extras para ajudar a lidar com a dor, a repressão de todas essas emoções pode levar o luto a durar mais tempo ainda. Sem a oportunidade de “viver a dor” ela acaba ficando “camuflada” sem que seja solucionada em forma de aceitação e legitimidade.

De acordo com a psicóloga Julie Axelrod, existe uma ausência mais profunda sentida: “Não se trata apenas de perder o animal doméstico”. Ela alega que parte disso é que trata-se da perda de uma fonte de amor incondicional e conforto, bem como um companheiro inigualável.

Sem mencionar que essa perda leva a uma enorme ruptura na rotina diária, muitas vezes maior que a perda de entes queridos humanos. Tutores organizam seu dia a dia de acordo com seu cão (ou gato, ou seu animal doméstico), e de repente perder toda essa ordem pode deixar a pessoa completamente perdida.

Um fato realmente triste que os tutores que perdem seus companheiros contam, é que por um tempo, eles continuam a pensar e realizar as coisas como se seus animais ainda estivessem vivos. Por exemplo, quando algo cai em outro comodo eles se pegam chamando automaticamente pelo animal para checar se esta tudo bem, ou eles chegam a ouvir os ruídos que seus companheiros faziam pela casa, mesmo eles não estando mais lá.

As memórias podem pregar peças na mente, porém é desnecessário dizer o quão difícil é passar por uma separação como essa.

A culpa também tem o seu papel no luto, pois muitas vezes o tutor se vê obrigado a fazer uma escolha difícil para acabar com o sofrimento do companheiro. Embora seja a opção mais humana a ser feita, não é a mais fácil, ainda mais quando se trata de dizer adeus.

Pensamentos de que havia mais que poderíamos fazer mais e não fizemos, trazem outro nível de dor que simplesmente não conseguimos suportar.

A perda de um animal doméstico é um momento delicado e dolorido – reconhecido inclusive cientificamente – e é absolutamente normal e correto sentir a dor da perda e ficar desorientado. Eles são membros da família, não importa o que aqueles que não compreendem essa dor ou não sabem o que é o amor de um animal digam.

É absolutamente compreensível que você ainda sinta falta do seu companheiro, esse lugar será só dele ou dela, para sempre.

Nota da Redação: existem muitos animais esperando por um lar, disponíveis para adoção. Lembrando sempre que a responsabilidade com um animal doméstico é um compromisso para o resto da vida: saúde, amor, alimentação, cuidado e proteção são necessários para que ele tenha uma vida plena e feliz.

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