Fafá de Belém voa alto ao desafiar padrões para expor fraturas pessoais e sociais no show ‘Humana’



poucos minutos aconteceu a publicação no portal: G1, do artigo “Fafá de Belém voa alto ao desafiar padrões para expor fraturas pessoais e sociais no show ‘Humana'”

Conforme o que foi informado através do portal G1:
Em cena, a cantora enfatiza o tom político do aclamado álbum que lançou em abril. Humana, o aclamado 26º álbum de Fafá de Belém, fechou o sorriso largo da cantora paraense para falar em tom interiorizado de dores de tempo cinzento em repertório que versa sobre lesões internas e externas.
No show Humana, que estreou ontem no Rio de Janeiro (RJ) após cumprir concorrida temporada em São Paulo (SP), Fafá vai ainda mais fundo nesse inventário emocional, expandindo o tom político do disco ao expor fraturas pessoais e coletivas.
Sob a direção teatral de Paulo Borges, arquiteto do expansivo show anterior da artista, Do tamanho certo para o meu sorriso (2015), Fafá subverte padrões, esquece momentaneamente os (muitos) sucessos e apresenta um espetáculo denso e sombrio, no clima do disco a que deu forma com Borges e com o DJ Zé Pedro.
Fafá de Belém emula o gestual de uma ave com o figurino de João Pimenta no show ‘Humana’
Murilo Alvesso / Divulgação
Ainda que o clima do show Humana seja nublado, as cores vivas da esperança aparecem no fim, simbolizando a crença na humanidade. “Tenha fé no nosso povo que ele resiste”, pede Fafá através de verso de Credo (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978), música alocada no bis para evidenciar o sol que se deixara entrever no número anterior, Crença (Milton Nascimento e Márcio Borges).
“Eu vou achar a alegria”, promete a cantora, estrela radiante de estações tropicais de outrora, nessa música que deu título ao quinto álbum da artista, Crença (1980).
Antes de vislumbrar a alegria, Fafá segue via-crúcis existencial em roteiro exemplarmente construído. Por ter sido gestado sem concessões, o show Humana extasia quem ansiava por ver e ouvir essa grande cantora fora de zonas confortáveis ao mesmo tempo em que irrita a “gente amarga, mergulhada no passado” mencionada por Fafá ao cantar Universo no teu corpo (Taiguara, 1970).
Fafá de Belém dá voz a música de Lulu Santos, em tom roqueiro, no show ‘Humana’
Murilo Alvesso / Divulgação
Havia essa gente na plateia do Theatro Net Rio na noite de ontem, 5 de junho de 2019. Mas havia também gente informada que sabe que Fafá girou a chave no álbum Humana para falar de sofrimento e, no palco, se mantém radicalmente fiel à estética do disco lançado em 5 de abril, inclusive por se cercar dos mesmos músicos do álbum produzido por Arthur Nogueira, também produtor musical do show.
A propósito, Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo), Richard Ribeiro (bateria) e Zé Manoel (teclados) envolvem o canto intenso de Fafá em atmosfera sonora contemporânea, indo por vezes para o rock em músicas como Toda forma de amor (Lulu Santos, 1988) – mais bem encaixada no show do que no disco – com uma atmosfera bluesy que acentua o clima invernal de Dona de castelo (Jards Macalé e Waly Salomão, 1974) e que mostra com mais nitidez O terno e perigoso rosto do amor (Adriana Calcanhotto sobre poema de Jacques Prévert em versão em português de Silviano Santiago, 2019), música do disco que também ganha força no show.
Fafá de Belém mergulha no clima denso e sombrio do show ‘Humana’
Murilo Alvesso / Divulgação
À vontade na atmosfera teatral de cena em que o gestual da intérprete é sincronizado com o canto, Fafá valoriza a impressionante atualidade da melhor música de Letrux – Alinhamento energético (Letícia Novaes, 2019), injustificável sobra do álbum solo lançado em 2017 por essa cantora carioca – e acerta o tempo de delicadeza necessário para dar o recado firme de O resto do resto (Fátima Guedes, 2019) com lágrima na voz, influência da ídola antecessora Angela Maria (1929 – 2018).
A tristeza do canto por vezes lacrimoso é expandida na balada Eu não sou nada teu (Zé Manoel e Conrado Segreto, 2019) – número em que sobressai os teclados do pianista Zé Manoel, autor da música – e na belamente depressiva canção portuguesa Não queiras saber de mim (Rui Veloso e Carlos Tê, 2005).
Se a dramaticidade de Revelação (Clésio Ferreira e Clodo Ferreira, 1978) é amplificada pelo toque noise da guitarra de Allen Alencar, Memória (Gonzaguinha, 1979) atiça reminiscências de tempo e povo felizes para contrastar com a mensagem de que atualmente o bem desgovernado insiste em sair dos trilhos.
Fafá de Belém canta duas músicas de Milton Nascimento, ‘Crença’ e ‘Credo’, no show ‘Humana’
Murilo Alvesso / Divulgação
O mundo desgovernado é o assunto pertinente de uma das mais sedutoras canções da parceria de Ivan Lins com Vitor Martins, De nosso amor tão sincero (1988), gravada por Fafá há 31 anos no álbum Sozinha (1988) e revivida pela cantora no show Humana em interpretação a capella que explicita a excelente forma vocal desta artista que fará 63 anos em agosto.
Fazenda (Nelson Angelo, 1976) e Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975) também entram no roteiro como memórias de outros momentos de Fafá para mostrar que, sim, o tempo de Fafá é hoje.
Parceria de Arthur Nogueira com Ava Rocha que abre o álbum Humana, Ave do amor (2019) voa mais alto no show, evidenciando o figurino-cenário de João Pimenta em número já instantaneamente memorável pela sintonia perfeita entre canto, luz e gesto.
Fafá de Belém ganha asas em Humana, show que deixa nas alturas essa grande cantora do Brasil. (Cotação: * * * * *)
Fafá de Belém vislumbra as cores da alegria ao fim do roteiro do show ‘Humana’
Murilo Alvesso / Divulgação
♪ Eis o roteiro seguido em 5 de junho de 2019 por Fafá de Belém na estreia carioca do show Humana no Theatro Net Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ):
1. Alinhamento energético (Letícia Novaes, 2019)
2. Dona do castelo (Jards Macalé e Waly Salomão, 1974)
3. Memória (Gonzaguinha, 1979)
4. O resto do resto (Fátima Guedes, 2019)
5. Toda forma de amor (Lulu Santos, 1988)
6. Universo no teu corpo (Taiguara, 1970)
7. O terno e perigoso rosto do amor (Adriana Calcanhotto sobre poema de Jacques Prévert em versão em português de Silviano Santiago, 2019)
8. Ave do amor (Arthur Nogueira e Ava Rocha, 2019)
9. De nosso amor tão sincero (Ivan Lins e Vitor Martins, 1988)
10. Fazenda (Nelson Angelo, 1976)
11. Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975)
12. Eu não sou nada teu (Zé Manoel e Marcelo Segreto, 2019)
13. Não queiras saber de mim (Rui Veloso e Carlos Tê, 2005)
14. Revelação (Clésio Ferreira e Clodo Ferreira, 1978)
15. Crença (Milton Nascimento e Marcio Borges, 1980)
Bis:
16. Credo (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978)

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