Filipe Catto renasce em cena, sob o signo de vênus, em show ritualístico | Blog do Mauro Ferreira



“Maravilhosa!”. “Diva!”. “Vampirona!”. Os adjetivos de gênero feminino gritados por homens na plateia do Theatro Net Rio na última quarta-feira, 5 de dezembro, corroboraram a liberdade de Filipe Catto de dar à luz uma identidade visual feminina no show O nascimento de vênus.

Projetado no início dos presentes anos 2010 como cantor galã de aura kitsch que descendia da linhagem andrógina de Ney Matogrosso, o artista gaúcho diluiu essa imagem e, a partir do álbum Tomada (2015), disco de voltagem mais branda, iniciou processo de mutação do som e da imagem, se libertando do jugo da gravadora Universal Music e migrando de volta para a cena indie na qual surgira em 2009 com o EP Saga.

Nos últimos dois anos, o artista veio exercendo a liberdade de gênero ao adotar visual feminino sem se portar em cena como mulher ou como transexual.

Filipe Catto brilha ao cantar músicas de Romulo Fróes e César Lacerda no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1Filipe Catto brilha ao cantar músicas de Romulo Fróes e César Lacerda no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Filipe Catto brilha ao cantar músicas de Romulo Fróes e César Lacerda no show ‘O nascimento de vênus’ — Foto: Mauro Ferreira / G1

Foi esse cantor livre de amarras estéticas que voltou esta semana à cidade do Rio de Janeiro (RJ) para fazer a estreia carioca do show O nascimento de vênus, baseado no terceiro e melhor álbum do artista, CATTO (2017), lançado em novembro do ano passado.

Neste disco sedento de sexo, Catto dissipou qualquer excesso de passionalidade na abordagem das músicas, mas preservou a ardência do canto ao dar voz a um repertório composto sob o império dos sentidos.

No show O nascimento de vênus, Catto ritualizou a cena, com belo jogo de luzes e com ambiência futurista, ocupando o palco como se fosse uma entidade.

Jogo de cena e luzes à parte, o que se viu e ouviu no palco do Theatro Net Rio foi um (grande) cantor que acendeu canções e conquistou atenções desde a primeira música do roteiro, Como um raio (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2004), apresentada após a abertura com famoso tema do universo da música clássica.

Filipe Catto canta sob belo jogo de luzes no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1Filipe Catto canta sob belo jogo de luzes no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Filipe Catto canta sob belo jogo de luzes no show ‘O nascimento de vênus’ — Foto: Mauro Ferreira / G1

Com o toque dos músicos Felipe Puperi (produtor do álbum CATTO) e Jojô, o artista formou trio que lançou mão de sons sintetizados em bases eletrônicas sem dispensar os timbres orgânicos de instrumentos como o violão e a guitarra.

Sem deixar o canto em segundo plano, Catto se comprovou intérprete cintilante quando brilhou no giro de Arco de luz (2003) – samba em tom menor da parceria de Marina Lima com o irmão poeta Antonio Cicero – e quando alcançou momento sublime ao dar voz à canção É sempre o mesmo lugar (2017), música cedida pelos compositores Romulo Fróes e Cesar Lacerda para o álbum CATTO.

Sem a coesão do disco, o show perdeu pique no meio da apresentação carioca antes mesmo da deslocada entrada da convidada Duda Beat, cantora pernambucana que não justificou o culto atual quando fez dueto com o cantor em Eva (Umberto Tozzi e Giancarlo Bigazzi, 1982, em versão em português de Marcos Ficarelli, 1983) – sucesso do grupo Rádio Taxi que a Banda Eva tomou para si ao carnavalizar na década de 1990 essa música que se alinha com a estética futurista do show de Catto – e na Canção de engate (António Variações, 1984), canal ideal para a veiculação da energia e liberdade sexual que pautou o álbum CATTO.

Filipe Catto canta sucesso da Banda Eva no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1Filipe Catto canta sucesso da Banda Eva no show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Filipe Catto canta sucesso da Banda Eva no show ‘O nascimento de vênus’ — Foto: Mauro Ferreira / G1

Contudo, após a saída de Duda Beat, o show recuperou o pique, voltando a alcançar o ápice com a canção Faz parar (Romulo Fróes e César Lacerda, 2016), apresentada já no bis, encerrado com registro a capella do samba Roupa do corpo (Filipe Catto, 2009).

Na gestação do show, sob indumentária eletrônica ou acústica, Filipe Catto assumiu novamente a pele do grande cantor, se desligando da vibe titubeante do disco e show Tomada.

Com liberdade de gênero, Filipe Catto renasceu em cena sob o signo de vênus. (Cotação: * * * *)

Filipe Catto na estreia carioca do show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1Filipe Catto na estreia carioca do show 'O nascimento de vênus' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Filipe Catto na estreia carioca do show ‘O nascimento de vênus’ — Foto: Mauro Ferreira / G1

 — Foto: Editoria de Arte / G1 — Foto: Editoria de Arte / G1

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