Holloway e Ortega fazem duelo da consistência contra o oportunismo – Prisma


Era uma vez um lutador limitado, mas capaz de terminar um combate em um piscar de olhos. Frank Mir? Pensou certo, caro leitor do blog Jab Direto. Mas o post dessa semana vai tratar de Brian Ortega, desafiante ao título peso pena do Ultimate que vai enfrentar Max Holloway, o campeão, neste sábado, no UFC 231.


Holloway é mais conhecido, por isso não preciso me estender tanto para falar sobre ele. Além do cinturão, o havaiano vai defender uma sequência de 12 vitórias consecutivas, entre elas dois nocautes aplicados em José Aldo. Quem assistiu às lutas contra o brasileiro sabe que o campeão é alto (1m80) e longo (envergadura de 1m75) para categoria, vantagens que ele sabe colocar em prática como poucos. Holloway tem um kickboxing afiado e muito técnico, sabe manter o adversário distante, agride com combinações de socos e chutes, varia a altura dos ataques entre cabeça, corpo e perna, e impõe um volume que compensa a falta de poder de nocaute.



Como eu disse, é provável que você já conheça Holloway, muito por causa das duas lutas com Aldo em 2017. A incógnita nesse combate será Ortega. Há quem diga que o desafiante nunca ganhou um round no UFC, lenda que nunca foi colocada à prova porque ele terminou todos os duelos que disputou, seja por finalização ou nocaute.


No mais alto do nível do mundo da luta, oportunidade é tudo e Ortega sabe como capitalizar. Diego Brandão tem seus defeitos, mas o jiu-jitsu do amazonense é de primeira linha, obstáculo vencido pelo norte-americano graças a um triângulo. No vídeo abaixo, é possível ver que o brasileiro é competente ao se defender do triângulo de mão e da guilhotina, mas a transição para um terceiro estrangulamento resultou na finalização.



Já deu para perceber que Ortega tem um jiu-jitsu de alto nível, por isso é pertinente fazer a pergunta de um milhão de dólares: consegue derrubar? Não, o norte-americano é incompetente em conseguir levar seus adversários para o solo. Desde que estreou no UFC, em 2014, as estatísticas oficiais indicam que ele tentou aplicar sete quedas em sete lutas, nas quais teve sucesso apenas uma vez, contra o irrelevante Mike De La Torre.


Não conseguir derrubar é um grave defeito para um jiu-jiteiro. Isso posto, Ortega contorna essa falha com brilhantismo. Alto para a divisão dos penas (1m78), o norte-americano aproveita de seus longos braços (1m88 de envergadura) para laçar o pescoço dos adversários. o que tentou fazer contra Brandão e conseguiu contra Cub Swanson e Renato Moicano. Não é todo lutador que tem no cartel uma finalização via “guilhotina voadora”.



Se o jogo de quedas não é o forte de Ortega, pode-se dizer que a trocação também não é. Até dá para ver que ele se compromete em tentar se valer da grande envergadura e castigar seus rivais com o jab de esquerda, mas o norte-americano parece ter movimentos lentos e robóticos. Ele, porém, não pode reclamar do poder que tem nas mãos, as primeiras capazes de nocautear Frankie Edgar. Tudo começou com uma cotovelada, seguida de uma combinação um uppercut na saída do clinch.










Uma pergunta é pertinente nesse combate. Como Ortega vai se comportar contra um rival mais alto? A tendência é que o havaiano saia vitorioso, uma vez que ele é mais completo e conta com um ótimo preparo físico, por isso é provável que vá optar por fazer uma luta cautelosa, mesmo que isso signifique disputar os cinco rounds. Mas é sempre bom lembrar, 25 minutos é muito tempo para Holloway evitar qualquer brecha e uma só pode ser o bastante para o desafiante liquidar a fatura.

Fonte

قالب وردپرس