Igreja Católica quer reforçar seu papel com indígenas ameaçados de morte por madeireiros



Hoje, a pouco tempo foi aconteceu a postagem no site: G1, da notícia “Igreja Católica quer reforçar seu papel com indígenas ameaçados de morte por madeireiros”

Segundo o que foi publicado pelo link G1:
Diante do aumento das queimadas, do desmatamento e das violações dos direitos das comunidades indígenas e ribeirinhas, religiosos católicos procuram reforçar o papel social da Igreja na região, enquanto acompanham o Sínodo da Amazônia. Círio de Nazaré é promovidopela Igreja Católica há 82 anos no Amapá
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Foram 28 horas de barco desde a região de Maués, no baixo Rio Amazonas, até chegar a Manaus. Na capital, o grupo de cinco indígenas foi à sede do Ministério Público Federal (MPF) fazer uma série de denúncias relacionadas com invasão de terras, exploração ilegal de madeira e ameaças contra os moradores de regiões isoladas e próximas de terras demarcadas.
Os depoimentos são acompanhados por representantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), de uma advogada de direitos humanos e dois religiosos católicos. A assistência desse grupo de missionários e especialistas dá segurança jurídica e ajuda no momento dos depoimentos, para que as declarações sejam enriquecidas com detalhes que possam ajudar na atuação da Justiça.
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Mais eloquente, José Cristo de Oliveira, presidente da associação dos produtores da região de Maués, que reúne 150 famílias ribeirinhas e indígenas, descreve, com a ajuda de fotos tiradas de seu aparelho celular, o agravamento do problema do desmatamento ilegal na Amazônia.
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“Nós vivemos da extração de frutos da nossa biodiversidade, o guaraná e o açaí, entre outros produtos da natureza. Há muitos madeireiros que estão entrando por trás de nossas propriedades, provocando muitos problemas. Nós não aceitamos o que estão fazendo, ou seja, destruindo nossa própria natureza, de onde tiramos nosso sustento”, lamenta.
“Estão tirando muita madeira, transportando dia e noite, com tratores dentro da floresta. Somos contra. Estamos correndo atrás de instituições para ter apoio”, acrescenta.
José Cristo relatou ao MPF que sob pressão dos madeireiros, muitos moradores estão sendo obrigados a analisar propostas financeiras pelas terras. “Para meu vizinho ofereceram R$ 30 mil para ele sair. Mas ele vive lá naquela propriedade, o que vai fazer? Isso dói na nossa consciência. E se não sairmos, corremos o risco de perder nossas casas e até nossas vidas”, conta o líder da associação.
Ao seu lado durante o depoimento ao Ministério Público Federal, João de Souza Silva, da etnia Satéré Mawé, relatou o medo de sua comunidade que vive próxima de uma área indígena demarcada na região de Maués. São dez famílias que vivem da extração sustentável dos produtos da biodiversidade local.
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“Há cinco anos que há invasão. Nossa intenção é denunciar porque estamos enrascados. Não estamos conseguindo nem mais buscar nosso alimento. Quando saímos (de nossas casas), eles começam a nos cercar com armas. A gente fica com medo. Qualquer descuido meu, eles me pegam”, afirmou à RFI Brasil.
“Viemos denunciar e ver se conseguimos uma ajuda o mais breve possível. Estamos enrascados, aperreados. Quando a gente sai de lá, eles começam a cercar a gente com arma e fica todo mundo com medo. É uma ameaça muito forte. Estamos com medo de perder as casas e até a vida. Tá muito perigoso mesmo”, insiste.
Na sede do MPF, José citou nomes e apelidos dos homens armados contratados por madeireiros da região, que podem ajudar as autoridades nas investigações.
Ao seu lado, Edinamar de Oliveira Viana, indígena da mesma etnia Satéré Mawé, diz que as denúncias feitas no município não surtiram efeito. Por isso, o grupo foi à capital do Estado em busca do apoio do MPF.
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Filipe Domingues/G1
“Estão ameaçando os moradores com armas de fogo, pedindo para que as pessoas não falem mais nada, não denunciem, porque se a gente denunciar, eles podem acabar com a gente, matar. Temos medo de viver assim. Medo, mas ao mesmo tempo só força ainda mais para a gente resistir àquilo que a gente tem, guarnecer aquilo que a gente tem lá até hoje. Nós lutaremos até a nossa última gota de sangue”, afirma.
O Procurador da República no Amazonas, Fernando Merloto Soave, explica que o contexto atual é desfavorável para a ação da Justiça, com cortes de verbas e de agentes de fiscalização.
“Temos recebido muitas denúncias, principalmente nos últimos meses, sobre a questão das ameaças e dos desmatamentos. O MPF vem buscando atuar. A gente não consegue estar presente. Nesses casos, os órgãos têm sofrido um desmonte: a Funai, o próprio Ibama e o ICMBio. A gente vem verificando, tanto é que já existe uma recomendação da 4ª Câmara do MPF, que trabalha com a questão ambiental, para o Ministério do Meio Ambiente sobre esses temas.”
Apesar das dificuldades no plano federal, Fernando Soave reconhece que o apoio externo tem ajudado a identificar os locais onde a atuação com as comunidades vulneráveis pode ser mais eficaz.
“A mobilização social, junto com a Igreja e parlamentares, fortaleceu o trabalho do MPF na região. Nosso trabalho é ir lá, e já tinha uma mobilização, já estavam organizados, isso facilita muito. Já houve uma audiência pública, uma visita às comunidades. Isso para a gente, no sentido de captar o que acontece no lugar de maneira ampla, facilita demais”, acrescenta.
Presença de religiosos
Os depoimentos dos indígenas ao Ministério Público são acompanhados por representantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e também por um padre da região de Maués, Oziel de Oliveira, de 39 anos. Ele acompanhou a viagem do grupo a Manaus e testemunhou os depoimentos prestados à Justiça.
“De uns cinco anos para cá, começou a pressão das madeireiras e a situação só foi agravando, até chegarmos no ponto em que está. A gente vê nossos ribeirinhos sendo ameaçados, as comunidades sendo invadidas, já próximas das áreas indígenas. A Igreja Católica está ali acompanhando, é uma instituição que olha ainda com carinho os povos indígenas e tenta fazer alguma coisa. A Igreja tem essa presença não só para fazer sacramentos como para ajudá-los em algumas reivindicações e orientá-los naquilo que é o direito deles”, afirmou o padre na saída do Ministério Público Federal.
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Divulgação/Vatican News
Críticas aos evangélicos
Oziel é um dos quatro padres da diocese de Parintins, onde se encontra Maués. Ele atua em 150 comunidades ribeirinhas e indígenas. Diante do número insuficiente de religiosos, o padre vê com preocupação a expansão das igrejas evangélicas e destila críticas à atuação dos pastores.
“Nossa preocupação é que muitos desses pastores são ligados ao governo, às prefeituras. Se tem um problema com o social, eles não mexem, porque estão todos ligados ao governo. Quer dizer, o governo usa algumas igrejas evangélicas para o benefício próprio deles. Essa é a nossa preocupação. Não é com a evangelização em si, para falar do amor, da paz, não é isso”, argumenta. “Nosso trabalho de conscientização incomoda muito o poder público”, insiste.
A atuação de religiosos em comunidades ameaçadas, com oferta de assistência jurídica, é um dos trunfos da Igreja Católica na região amazônica para conter a queda de fiéis e a migração para as igrejas evangélicas.
Atual coordenadora do Conselho Indigenista Missionário para região do Amazonas, Adriana Huber Azevedo destaca que essa organização da Igreja Católica articula ações em favor de 3 mil comunidades indígenas. “O foco do nosso trabalho é o apoio aos povos indígenas e pela defesa de seus direitos constitucionais que estão sendo violados”, diz.
Uma das funções, segundo ela, é formar as comunidades tanto jurídica como politicamente para a defesa de seus direitos. Por isso, ela vê com muita preocupação o trabalho e o avanço das igrejas evangélicas na região.
“A gente observa a atuação proselitista dos missionários evangélicos com os povos indígenas. Vemos como problemático no sentido de que essas igrejas não fazem nenhuma reflexão sobre os grandes problemas sociais que afetam a Amazônia como um todo. Não fazem reflexão sobre processos de exploração, como a questão da mineração em terra indígena que vai poluir as águas, afetar todas as comunidades. Eles não fazem reflexões sobre essas questões pessoais, eles têm uma perspectiva muito focada em aceitar Jesus, de se declarar evangélico e de praticar o culto. É um enfoque muito individualista”, denuncia.
O padre Oziel e os indígenas da região de Maués que prestaram denúncia no MFP do Amazonas viajaram de Manaus para Roma, onde foram convidados a participar do Sínodo da Amazônia.
“Pela primeira vez, o papa coloca a Amazônia no centro do mundo. Foi muito propício justamente com esse governo federal do Brasil. Espero que esse Sínodo aprove um documento para respaldar nosso trabalho e nossa missão nesses lugares, que nos permite ser mais avançados e ousar mais. Essa é a nossa perspectiva”, diz o padre Oziel.
“Esperamos que o Sínodo não seja o fim, mas o começo de uma caminhada para que os povos e a nossa Igreja, como religião católica, possa estar em conjunto, juntamente conosco, povos originários”, completa a indígena Edinamar.
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