Mulheres indígenas e rurais se unem para maior ação feminina da América Latina



A pouco tempo foi divulgado no portal: HuffPost, da notícia “Mulheres indígenas e rurais se unem para maior ação feminina da América Latina”

De acordo com o publicado através do link HuffPost: Mazé Morais, coordenadora nacional da Marcha das Margaridas, ao lado de Sônia Guajajara, coordenadora nacional da Apib (Associação dos Povos Indígenas do Brasil).

Mulheres indígenas se juntam à Marcha das Margaridas nesta quarta-feira (14), em Brasília, para reivindicar direitos das “mulheres da terra” e protestar contra políticas ambientais que afetam ribeirinhas, quilombolas e indígenas. 

Com o tema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”, a organização informa que mais de 100 mil mulheres são esperadas para o evento na capital federal. 

Esta é considerada a maior ação das “mulheres da terra” da América Latina. Em portaria publicada na última terça, o governo autorizou que a força nacional seja usada para realizar a segurança na Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes, locais em que manifestantes se concentrarão, a partir das 7h.

Nascida nas comunidades ribeirinhas e das reivindicações das comunidades rurais, a marcha é uma homenagem à ativista de direitos para esta população, Margarida Maria Alves, que foi brutalmente assassinada no dia 12 de agosto de 1983 no estado da Paraíba. Neste ano, o crime completa 36 anos.

 

Coordenadora nacional da Marcha das Margaridas e secretária de Mulheres da Contag, Mazé Morais, em evento no Congresso Nacional.

Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) a cada quatro anos, a marcha ganha relevância no contexto do governo do presidente Jair Bolsonaro, que ironizou políticas de desmatamento da Amazônia e já liberou o uso de 42 tipos de agrotóxico só neste ano. Esta é a primeira vez que o ato contará com participantes da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que ocuparam as ruas da capital na última terça-feira (13).

Coordenadora nacional da Marcha das Margaridas e secretária de Mulheres da Contag, Mazé Morais explica ao HuffPost Brasil que a marcha acontece em um momento bem diferente dos anos anteriores. Esta é a sexta edição.

“Primeiro, por conta desse cenário de total retrocesso que as mulheres estão vivendo. Segundo porque nessa marcha não vamos entregar uma pauta por que a gente entende que não tem o que negociar com um governo que está tirando os direitos da classe trabalhadora, sobretudo das mulheres”, afirma.

As demandas se dividem em dez eixos temáticos e incluem melhorias na saúde e educação, combate à violência doméstica e aumento da participação das mulheres na política, além da defesa da biodiversidade e do direito à terra.

“São eixos que dialogam com as mulheres do campo, da floresta, das águas e junta com as mulheres da cidade nessa luta. É um momento que exige, mais do que nunca, de nós, enquanto mulheres, que estejamos unidas para ter força e enfrentar todos esses retrocessos”, diz Mazé, que é nascida em Batalha (PI).

São eixos que dialogam com as mulheres do campo, da floresta, das águas e junta com as mulheres da cidade nessa luta.Mazé Morais

Um dos direitos das mulheres do campo destacados pela ativista é a titulação conjunta em assentamentos, que permite que elas sejam as primeiras titulares no documento de posse da terra.

“A gente continua lutando para que ela seja garantida porque nos empodera, nos fortalece”, diz. “Somos nós, mulheres do campo, as últimas a conseguir políticas que nos atendam. Nós estamos na ponta e fazemos dupla, tripla jornada de trabalho.”

Para subsidiar o evento, foi criada uma campanha de financiamento coletivo. O projeto contou com um vídeo apresentado pela atriz Letícia Sabatella e indicava que a cada R$ 100 levantados até 3 mulheres garantiriam sua presença. A meta de 80 mil foi superada, e o valor arrecadado chegou a R$ 131mil.

Marina Silva ao lado de mulheres indígenas que marcharam em Brasília na última terça-feira (13).

Para além da Marcha das Margaridas, pela primeira vez, mulheres de diversos povos indígenas se reuniram para um fórum e uma marcha de “resistência”. O evento, que teve início em um fórum no último dia 9, seguiu até o dia 13. Hoje, dia 14, elas se unem em marcha às Margaridas.

“O motivo de marchar juntas é porque a gente sabe que o inimigo é o mesmo; a luta precisa ser conjunta porque, caso contrário, vamos ser soterradas por esse inimigo, que é muito bem orquestrado”, diz Célia Xakriabá, da Articulação dos Povos Indígenas (Apib), que está à frente da organização, ao HuffPost Brasil.

Com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas levantou discussões comuns às mulheres rurais, como direito ao território, violência de gênero, saúde, educação, segurança e sustentabilidade.

Na última segunda (12), cerca de 300 mulheres indígenas ocuparam o prédio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em Brasília, para chamar a atenção do governo para a municipalização dos serviços de saúde à esta população e pedir a saída de Silvia Waiãpi, da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena). 

O protagonismo da mulher indígena

Com o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, lideranças de 110 povos de territórios brasileiros marcharam pedindo por demarcação, saúde e educação.

Ex-ministra do Meio Ambiente,Marina Silva, se juntou à 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, realizada nesta terça (13) e falou sobre o crescimento do protagonismo destas mulheres no País. “Elas vêm se organizando e é crescente o movimento delas dentro dos povos indígenas. Não por acaso temos a primeira mulher deputada federal eleita no Congresso”, disse ao HuffPost.

Foi só depois de quase 200 anos de Câmara dos Deputados que o Brasil elegeu uma mulher indígena para deputada federal. Joênia Wapichana (Rede-RO) foi eleita com cerca de 8 mil votos em 2018. “Nós temos a Sônia Guajajara que foi candidata a vice-presidente [pelo PSol] e temos muitas mulheres assumindo esse protagonismo dentro do movimento”, destaca Silva. 

Na avaliação da ambientalista, a defesa dos direitos ligados a povos indígenas e rurais é urgente diante das ações do governo de Jair Bolsonaro.

“Neste momento existe uma ameaça de não mais demarcar terra indígena, de mineração em terra indígena e até mesmo o risco de alugar terras indígenas para projetos de desenvolvimento econômico contrário aos desses povos. Essa marcha tem simbolismo e, ao mesmo tempo, uma efetividade grande”, pontua.

Sobre a agenda de políticas públicas sobre o meio ambiente, Marina classificou como “perversa” a liberação de agrotóxicos. “Isso é uma atitude perversa porque vai recair sobre as agricultoras e agricultores e sobre o consumidor.”

1ª Marcha das Mulheres Indígenas + Marcha das Margaridas

Data: 14 de agosto

Local: Pavilhão do Parque da Cidade

Horário: 7h

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