O verdadeiro motivo para você se preocupar com os rastros deixados pelos aviões no céu



Hoje, a poucos momentos atrás foi aconteceu a postagem no link do: G1, da notícia “O verdadeiro motivo para você se preocupar com os rastros deixados pelos aviões no céu”

Conforme o que foi veiculado através do portal G1:
Teorias da conspiração na internet afirmam que tais rastros são produtos químicos espalhados para tornar a humanidade mais obediente, dócil e fácil de controlar, mas a verdade passa bem longe disso e tem tudo a ver com o aquecimento global. Impacto dos rastros de avião no clima global deve triplicar até 2050, apontam pesquisadoras
Mick West/BBC
Sob determinadas condições atmosféricas, um rastro branco se forma atrás do avião. Parece uma fumaça estática, um rastro definido, uma nuvem comprida. Na realidade, não passa de um fenômeno físico: o calor das turbinas condensa o vapor de água e o transforma em cristais de gelo.
Não faltam teorias conspiratórias para “explicar” o fato. Comunidades na internet debatem a questão. E espalham mensagens alarmistas sobre como esses rastros seriam, na verdade, produtos químicos espalhados para tornar a humanidade mais obediente, dócil e fácil de controlar – uma operação secreta coordenada pela Organização das Nações Unidas, governos de diversas nações, militares e cientistas de alto escalão, além de magnatas de renome.
Nada disso é verdade, claro.
Mesmo assim, você deveria se preocupar com os famigerados rastros de avião. Por causa de uma ameaça muito real: o aquecimento global.
Estudo
De acordo com pesquisa científica desenvolvida pelo Instituto de Física Atmosférica do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão), o impacto climático das nuvens produzidas por rastros de aviões pode triplicar até 2050. O estudo foi publicado nesta quinta-feira pelo periódico Atmospheric Chemistry and Physics.
No trabalho, as pesquisadoras Ulrike Burkhardt e Lisa Bock demonstram que, em condições adequadas, esses rastros de avião permanecem por longo tempo no céu e, assim, “prendem” o calor dentro da atmosfera da Terra. E mesmo com os esforços de companhias aéreas e governos para compensar as emissões de carbono da aviação, esse fenômeno tem sido negligenciado.
“É difícil implementar os rastros de avião nos sistemas de compensação de emissões”, afirma Ulrike Burkhardt, em entrevista à BBC News Brasil. “Todos sabem quanto de combustível um avião utilizou e, portanto, as emissões de CO2 podem ser estimadas. Já os rastros e seus impacto no clima são temporal e localmente muito variáveis.”
Burkhardt explica que essas nuvens se formam “somente às vezes e, quando se formam, muitos rastros rapidamente desaparecem”. “Apenas em algumas condições favoráveis, úmidas, são longevas e espalhadas por uma grande área geográfica”, ressalta. “Assim, formação e ciclo de vida de tais nuvens variam consideravelmente.”
Geralmente os rastros se formam quando os aviões estão voando a mais de 8 mil metros de altura, em um ambiente de temperatura extremamente baixa – menores do que 50 graus negativos.
Ela concorda que por conta de tais variações seria extremamente complicado arbitrar de modo objetivo uma maneira correta de efetuar tais compensações. “Como isso pode ser feito não é exatamente claro, mas considerar apenas as emissões de CO2 das aeronaves significa negligenciar a maior parte do impacto climático”, afirma.
De acordo com as estimativas realizadas pelas pesquisadoras, o impacto climático dos rastros de avião é maior do que todo o CO2 emitido pelas aeronaves desde o início da aviação. E a julgar pela evolução da área, esse impacto será ainda maior, triplicando até 2050.
Esse aumento leva em conta a estimada evolução do tráfego aéreo e a falta de investimentos em tecnologias específicas para diminuir esse efeito. Isso porque as pesquisas atuais se voltam para uma maior eficiência de combustível, ou seja, reduzindo o CO2. Mas não se preocupam com a diminuição de alguns gases residuais que, expelidos a mais de 300 graus Celsius, acabam acelerando a formação dos tais rastros junto ao vapor de água.
Infográfico mostra variações do calor da terra de acordo com o volume de tráfego aéreo
Bock e Burkhardi/BBC
O aquecimento global causado por tais rastros ocorre porque essas nuvens artificiais mudam a nebulosidade global, criando um desequilíbrio na maneira como a Terra absorve radiação. Isso resulta no aquecimento do planeta. Quanto mais intenso esse fenômeno, maior o impacto climático.
O tráfego aéreo responde por cerca de 5% desse aquecimento causado pelo homem, sendo que os rastros de avião são os maiores contribuintes.
“Precisamos reconhecer o impacto significativo das emissões além do CO2”, ressalta Lisa Bock. As pesquisadoras ressaltam que o protocolo Corsia, estabelecido pela ONU para compensar as emissões de tráfego aéreo a partir de 2020, ignoram os impactos climáticos dos rastros de vapor.
Segundo as pesquisadoras, países da América do Norte e da Europa, regiões com tráfego aéreo mais intenso, sentem mais os efeitos desse aquecimento.
Burkhardt lembra que, embora não haja estudos precisos sobre isso, as nuvens de rastro de avião interferem não apenas na temperatura da superfície, mas também na quantidade das chuvas. “Ainda há algumas incertezas e os efeitos dos rastros serão mais estudos em pesquisas em andamento. Mas está claro que eles aquecem a atmosfera”, completa Bock.
Para chegar aos dados do estudo, as pesquisadoras usaram um modelo matemático que levou em conta o volume de tráfego aéreo – e as estimativas para seu crescimento nas próximas décadas – e as variações climáticas enfrentadas pelo planeta. “Utilizamos um modelo climático que foi ampliado para incluir nas nuvens de avião, sua formação e evolução”, afirma Burkhardt.
“Dado o aumento esperado de quatro vezes no volume de tráfego aéreo, descobrimos que o impacto do clima devido aos rastros será triplicado.”
Soluções
Aeronaves mais limpas diminuiriam o problema. Isso porque partículas de fuligem emitidas pelos motores aumentam o número de cristais de gelo nos rastros. Assim, aviões mais eficientes poderiam ter menos resíduos. Mas Burkhardt alerta que os esforços precisam ser maiores do que os previstos para que se neutralizem os efeitos negativos dessas emissões. Ela acredita que para voltar aos índices do início do século, tais emissões precisariam ser reduzidas em 90%.
“A redução significativa das emissões de fuligem é um passo importante para contrabalançar o aumento do aquecimento devido ao aumento do volume do tráfego aéreo”, diz ela. “Mas, dada a grande taxa de crescimento do tráfego aéreo, é preciso fazer mais.”
Uma outra solução para diminuir esse impacto seria redirecionar voos para evitar as regiões mais sensíveis aos efeitos da formação de tais rastros. Mas as novas rotas poderiam significar mais gasto de combustível – portanto, mais CO2. Aí a solução de um problema representaria o agravamento de outro.
Segunda Guerra
Embora sejam raros estudos sobre esse tipo de impacto, um trabalho acadêmico anterior usou uma metodologia interessante para concluir como os rastros de avião interferem no clima mundial.
KC-390 é o maior avião já produzido no Brasil
Embraer/Divulgação
Em 2011, o periódico International Journal of Climatology publicou um artigo em que pesquisadores britânicos demonstraram como aviões bombardeiros interferiram no clima durante a Segunda Guerra Mundial. Em um tempo em que a aviação comercial era incipiente e o planeta ainda não enfrentava a grave crise climática contemporânea, eles cruzaram informações de mais de 1 mil voos de ataques bélicos com registros meteorológicos e comprovaram as variações de temperatura em datas específicas.
Em 11 de maio de 1944, por exemplo, um dia marcado por ataques, eles encontraram uma variação de 0,8 grau justamente na faixa de horário em que que a maior parte dos aviões estava no ar.
Pesquisadores americanos também já tentaram compreender o impacto dos três dias pós-11 de Setembro, em que o espaço aéreo americano ficou interditado depois dos ataques terroristas, no clima da região. Os resultados são controversos, mas há estudos que apontam para uma variação de até 1,8 grau Celsius no ambiente da região.

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