Segurança alimentar na China: escola renomada gera revolta por estocar ‘carne podre e pão mofado’



Poucos minutos atrás foi divulgado pelo portal G1 a notícia “Segurança alimentar na China: escola renomada gera revolta por estocar ‘carne podre e pão mofado'”.

De acordo com o que foi divulgado na página do G1: ” Pais de alunos se juntaram na porta da escola para protestar depois que fotos de alimentos estragados foram compartilhadas nas redes sociais. Pão podre estava entre os alimentos encontrados na cozinha da cantina da escola
Arquivo pessoal
Uma das mais prestigiadas escolas particulares de ensino médio da China gerou revolta na população ao ser flagrada estocando pilhas de alimentos estragados e fora da validade.
Pão mofado, carnes e frutos do mar podres foram encontrados na cozinha da cantina do colégio experimental Chengdu No 7, localizado na província chinesa de Sichuan.
Um dos pais de alunos contou à BBC que sentiu horror e nojo ao ver a cena, classificando a comida como “fedorenta e repugnante”, comparada a comida dada a porcos.
A escola pediu desculpas, dizendo que está profundamente “constrangida”.
Escândalos de segurança alimentar não são incomuns na China, que precisa lutar com frequência para contornar a indignação pública.
Como descobriram a comida?
O escândalo veio à tona quando um pequeno grupo de pais foi convidado, na segunda-feira, a participar de um evento para plantação de árvores na escola.
Enquanto estavam no colégio, alguns deles descobriram pão mofado, carnes e frutos do mar podres na cozinha da cantina da escola.
Não está exatamente claro por que eles foram parar na cozinha, mas um dos pais que conversou com a BBC fez referência a um incidente ocorrido em novembro do ano passado, em que diversos alunos adoeceram, apresentando sintomas como dor de estômago, constipação, entre outros.
“[Os itens pareciam ter] ficado em um freezer por anos, [parecia] carne de zumbi”, disse o pai, que tem uma filha e um filho matriculados na escola.
“Eu cheirei a carne de porco, estava fedendo. [Havia] gengibre, com uma aparência nojenta também”.
Segundo ele, a escola custa 39 mil yuans (cerca de R$ 22.155) por ano – aproximadamente 20 vezes o valor de uma escola pública.
“Nós nem sequer deixamos as crianças comerem resto de comida em casa… gastei milhares de dólares para meus filhos comerem comida de porco”, desabafou.
“Não me atrevo a contar para meu filho mais novo… Fico preocupado que ele se recuse a comer na cantina depois disso. Minha filha tem reclamado de dor no estômago. Eu [disse] que ela poderia ter exagerado nos exercícios.”
“Isso me corta o coração.”
Havia frutos do mar e pedaços de carne em caixas de papelão
Arquivo pessoal
Como os pais reagiram?
Horrorizado, o grupo de pais compartilhou as fotos nas redes sociais – e logo outros pais de alunos também ficaram sabendo.
De acordo com o mesmo pai, a escola tentou se livrar imediatamente da comida estragada, que foi transportada em dois caminhões.
Um dos veículos foi interceptado e detido, segundo ele, por um bando de pais furiosos que apareceram na escola em protesto.
Vídeos que circularam nas redes sociais na quarta-feira mostram centenas de pais protestando com raiva do lado de fora dos portões da escola.
A polícia aparece usando de força contra eles – uma das imagens mostra um grupo de policiais batendo em um homem caído no chão.
Em outro vídeo, os pais surgem apertando os olhos – segundo agências de notícias locais, os policiais usaram spray de pimenta contra eles.
A polícia de Chengdu divulgou um comunicado na Sina Weibo, principal rede social do país, informando que 12 pessoas haviam sido presas.
De acordo com a nota, os pais “interromperam severamente” o trânsito e insultaram policiais. Eles foram liberados mais tarde no mesmo dia.
‘Por que eles devem confiar em alguma coisa?’
Stephen McDonell, correspondente da BBC na China
As pessoas no exterior às vezes pensam erroneamente que não há muitos protestos na China. Na verdade, atos de divergência vêm à tona com bastante frequência e podem eclodir de repente.
Se membros da família são prejudicados, especialmente quando estão sob os cuidados de uma escola, creche ou hospital, comunidades calmas e organizadas podem se transformar mediante cenas de raiva que se espalham pelas ruas.
Medicamentos falsos, leite em pó contaminado, fraudes financeiras e maus-tratos de estudantes sob os cuidados de professores já despertaram a ira do povo em relação às autoridades, cuja função é manter a comunidade segura.
Se o Partido Comunista chinês não está muito preocupado com esses incidentes, o fato é que eles levaram ao colapso da fé pública no sistema.
O que a escola disse?
O colégio divulgou um pedido de desculpas e afirmou que deixaria de receber comida do seu fornecedor atual.
A instituição de ensino é uma das mais prestigiadas da China e, no passado, foi classificada entre as “10 melhores escolas particulares do país”.
Eles disseram que os responsáveis ​​seriam tratados de acordo com a lei, que estavam “constrangidos” e que isso não aconteceria novamente.
No entanto, o pai com quem a BBC conversou acredita que não foi um “incidente isolado”. Segundo ele, o mesmo fornecedor servia a “mais de 100 mil estudantes de 20 escolas”.
O governo do distrito de Wenjiang – onde a escola está localizada – divulgou um comunicado na quarta-feira informando que oito pessoas responsáveis ​​pela segurança alimentar da escola estavam sendo investigadas pelas autoridades.
E que 36 alunos foram levados para fazer um check-up no hospital – todos tiveram alta na sequência.
O governo do distrito também afirmou que os alimentos crus seriam enviados para análise, acrescentando que seria realizada uma “investigação abrangente e aprofundada” sobre o tema.
“[Vamos] adotar decididamente uma política de tolerância zero. Os envolvidos serão tratados seriamente”, disse o departamento de imprensa do distrito em uma declaração na Sina Weibo.
No começo do ano passado, foi descoberto que uma escola internacional em Xangai servia comida vencida para os alunos. “

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